Alunos são forçados a fazer flexões como punição em escola militarizada.
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Alunos do Centro Educacional (CED) 01 do Itapoã, escola que está sob a gestão cívico-militar, foram obrigados a fazer flexões e ficar de joelhos por policiais militares que tomam conta da instituição de ensino. O caso ocorreu na manhã desta quarta-feira (25/2) e foi filmado. Os PMs envolvidos na “punição” foram afastados, segundo a Secretaria de Educação do DF.
Imagens recebidas pelo Metrópoles mostram alguns alunos, em uma área da escola, sendo submetidos aos castigos impostos por um policial militar, que aparece uniformizado no vídeo.
De acordo com a denúncia, as punições ocorreram porque os alunos estavam utilizando blusas de frio em uma cor que a escola teria considerado inadequada. Vale lembrar que, somente nesta semana, a Secretaria de Educação lançou edital para confecção dos uniformes das escolas cívico-militares.
O caso chegou ao presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Legislativa (CEC/CLDF), Gabriel Magno, nesta quarta-feira (25/2). Ao Metrópoles, ele classificou o ocorrido como um “completo absurdo”.
“A punição, em si, já é totalmente inadequada. Agora, o motivo da aplicação é inacreditável. Por causa da cor do casaco, botar adolescentes, não só para fazer flexão, mas ficar de joelho, é um absurdo”, lamentou.
Segundo o deputado distrital, a CEC encaminhou ofícios pedindo a investigação do caso. “Oficiamos o Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal (CDCA) e a Secretaria de Educação. Também estamos terminando uma notícia de fato, para mandar ao Ministério Público (MPDFT)”, comentou.
Deputado Gabriel Magno ressaltou que, no caso do CED 01, isso não é um fato isolado. “Nessa mesma escola, ano passado, a gente já tinha denunciado ao MP vários casos de violência contra os estudantes, por parte dos policiais, tanto física quanto psicológica”, afirmou.
Em nota, a Secretaria de Educação disse que tomou conhecimento da situação e que a direção da unidade esclareceu que “houve um equívoco na condução do episódio”.
“A pasta acionou a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) e a PMDF autorizou as substituições dos militares, que ocorrerão de forma imediata. O caso será devidamente apurado para o completo esclarecimento dos fatos e eventual adoção das medidas administrativas cabíveis”, ressaltou o texto.
Sobre os uniformes, a secretaria afirmou que nenhum estudante será prejudicado em suas atividades escolares por eventual ausência ou inadequação de vestimenta. “O foco da rede pública é garantir o acesso, a permanência e a aprendizagem com respeito e acolhimento”, pontuou a nota.
A reportagem procurou a Polícia Militar (PMDF). A corporação confirmou o afastamento e a substituição dos policiais que atuam na escola. “A corporação ressalta que não compactua com qualquer prática que possa ser interpretada como constrangedora ou inadequada ao ambiente escolar”, afirmou a PMDF.